Thursday, October 08, 2009

Preâmbulo

Não confio nas palavras. São demasiado fáceis. São facilmente conquistadas, são profundamente telepáticas. Metem nojo quando ditas por ignorantes e dão saudades quando são ditas por ti. Juntas causam ainda mais espanto e nostalgia do que sozinhas. São nasais mas também fluidas. De qualquer forma são o que são e por existirem metem respeito mesmo que grande parte delas sejam irrelevantes. Quando não as usamos ficamos constrangidos e irrequietos. Ao não as proferir definem-nos de amuados, hipócritas, antipáticos ou até psicopatas, mas se as dissermos somos irracionais, insensíveis e estranhos. Na nossa essência não conseguimos estar calados, então falamos pelos cotovelos. Quando ninguém suporta ouvir-nos, falamos sozinhos, para nós mesmos, ou até para insanos amigos imaginários.
De igual forma, não confio nos sentimentos. Talvez mais do que não confio nas palavras. Ambas estão ligadas e ambas nos deixam num estado de êxtase picuinha, logo ridículo, lamechas e irreal. O que me salva é que falo muito, logo faço parte do grupo dos insensíveis e irracionais, jamais no dos hipócritas.

2 comments:

cleo said...

Eu falo mais que tu :) e não me considero louca, ok, pronto, talvez um bocadinnnhhhhhhhoooooo...

Bom fim-de-semana!

Sunshine said...

Nem sempre um beijo traduz quanto amamos alguem - é preciso ouvir as palavras.
A dor não passa - sem deitar para fora as palavras.
A compreensão é quase impossivel - sem a troca de palavras.

Fala, grita, sussura - mas deita para fora as palavras.
Desde que sejam genuinas do teu coração - o que importa o que suom para o mundo?
È verdade que nem sempre o que ouvimos é verdade, e que muita coisa dita é oca e falsa mas prefiro viver num mundo onde acredito e disilludo-me do que num mundo em que não acredito em nada nem em ninguem.
Palavras é o que constroi o teu blog, a tua alma... não é por uma fotografia que te conheço meu amigo - é por aquilo que dizes.